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Há anos atrás as Flores era uma das várias ilhas que praticava a caça à baleia. A primeira caçada nesta ilha foi em 1860 e durante 146 anos
caçaram 2000 exemplares. Estes dados são do historiador/investigador Sr. João Vieira que escreveu vários livros sobre a baleação nas Flores.
Não é do meu tempo mas conheço algumas pessoas que viveram essa época e ainda a recordam com saudade
mesmo tendo sido tempos dificeis e de
muita coragem pois "lutar" com um cachalote (uma das raças de baleias, a mais comum nos Açores) era tarefa dura ainda mais utilizando uma embarcação de madeira estreita a remos e vela com cerca de sete, oito pessoas a bordo e tendo como "ferramenta" para as "caçar" um arpão com cabo.
Para terem sucesso na caça existia casas e "pontos" de vigia em locais estratégicos e de boa visibilidade para o mar. Os vigias quando avistavam um cachalote atiravam foguetes para avisar os baleeiros.
Esses por sua vez deixavam tudo o que estavam a
fazer e iam o mais rápido possível arrear os botes para o mar ao encontro desses enormes animais deixando as esposas e familiares rezando em terra para que fosse uma boa caçada sem nenhum acidente pois muitas embarcações foram destruidas com a força do animal em especial pela cauda desse.
Após apanharem o cachalote (ou mais do que um) traziam-no a reboque no bote até à rampa de acesso à fábrica onde eram cortados, picados e derretidos em grandes caldeirões de onde
era retirado o óleo. Os dentes e ossos muitas vezes iam para o fundo do mar. Por isso ainda hoje se podem encontar nos areais (em especial depois de dias de mar revolto) alguns dentes ou pedaços de ossos mas também usavam os ossos para fazer trincos (espécie de fechaduras), bengalas, traves em habitações, cancelas em terras, reguas para a escola (tenho uma
que foi feita quando estava num grupo folclorico pois usava a endumentária de uma professora) e
para decorar. Esculpiam e pintavam em especial os dentes que hoje em dia são artigos de muito valor. Eu por exemplo tenho vários dentes só que nenhum é pintado e tenho várias peças decorativas feitas em osso algumas feitas por meu pai com ossos que encontrou e outras que fui comprando ao longo dos anos.
Hoje em dia é proibido caçar por isso os poucos botes que ainda existem são peças de museu, outros são barcos de recreio que participam em regatas de vela e remo para relembrar os tempos antigos e mostrar aos mais jovens e aos muitos turistas como era antigamente. As fábricas muitas degradaram-se, outras tornarm-se museus ou
sede de entidades locais
relacionadas com o mar.
Hoje em dia existem ainda alguns vigias que, em especial durante o Verão, olham o mar ao encontro de baleias e também de golfinhos para avisarem as empresas de whale-watching. Essa actividade de "visita" aos cetácios é muito procurada por muitas pessoas no arquipélago.